Pular para o conteúdo
FarmanipulaçãoFarmanipulação

Glossário · técnico

COA (Certificado de Análise)

Documento emitido pelo fornecedor para cada lote de IFA. Declara identidade, pureza, impurezas, microbiologia, validade. Base do recebimento de matéria-prima.

Glossáriotécnico

COA (Certificate of Analysis) é o documento técnico que acompanha cada lote de matéria-prima farmacêutica. Emitido pelo fornecedor (fabricante ou distribuidor qualificado) e exigido pela RDC 67/2007 como parte do recebimento de IFA.

Conteúdo mínimo de um COA aceitável:

  • Identificação: nome do IFA (DCB), nome químico, CAS number
  • Lote: número único + data de fabricação + validade
  • Origem: fabricante real (não apenas distribuidor)
  • Identidade: testes confirmando que o material é o IFA declarado
    • Espectro IR ou NIR
    • Ponto de fusão (sólidos)
    • Identificação por HPLC (tempo de retenção)
  • Pureza analítica: HPLC ou método farmacopeico (ex: 99,5%)
  • Impurezas conhecidas: listadas com limite individual e total
  • Solventes residuais: ICH Q3C compliance
  • Microbiologia: contagem total + ausência de patógenos específicos
  • Metais pesados: As, Pb, Cd, Hg em ppm (ICH Q3D)
  • Aspecto físico: pó branco cristalino / cor / forma
  • Solubilidade: característica do IFA
  • pH (se aplicável)
  • Assinatura do responsável técnico do fornecedor + carimbo

Recebimento na farmácia:

  1. Conferência documental — COA completo, dentro da validade
  2. Inspeção visual — embalagem íntegra, lacre
  3. Identificação independente — NIR + NFC para confirmar que o conteúdo bate com COA
  4. Quarentena até liberação do RT
  5. Cadastro no ERP — lote, validade, fornecedor, COA digitalizado (com hash SHA-256 do PDF para detecção de adulteração futura)
  6. Liberação para uso após RT verificar e assinar

Bandeiras vermelhas em COA:

🚩 Falta de origem real (apenas "distribuidora") sem fabricante identificado 🚩 Pureza ≤95% sem justificativa (IFA padrão deve ser ≥98-99%) 🚩 Sem teste microbiológico (mandatório em IFAs para uso oral / parenteral) 🚩 Validade menor que 6 meses restantes (alta rotatividade necessária; planejar uso ou rejeitar) 🚩 Assinatura digital ausente ou apenas papel sem timbre / autenticação 🚩 Métodos analíticos não declarados ou não validados

Validação adicional na farmácia (PCQM):

Mesmo com COA aceito, farmácia magistral séria faz validação independente:

  • NIR ou ponto de fusão para identidade rápida
  • HPLC ou UV-Vis para conferir teor declarado em amostra do lote recebido
  • Microbiologia em amostra (para IFAs de risco — orais, parenterais)

Discrepância entre COA e validação interna = rejeitar o lote + comunicar fornecedor.

Retenção de COA:

  • Físico ou digital com hash SHA-256
  • Mínimo 5 anos após uso completo do lote (recomendação Anvisa)
  • Indexado no ERP por lote

Custo de não exigir COA:

Caso real: lote de carbonato de magnésio de fornecedor não-qualificado tinha 30% de contaminação por óxido de chumbo (impureza grave). Farmácia que validou independente detectou e rejeitou. Farmácia que confiou no COA (que omitia o teste de metais pesados) manipulou e dispensou — caso clinicamente relevante seguiu para investigação.

A regra: COA é necessário, mas não suficiente. Validação independente continua sendo parte do PCQM responsável.

A Farmanipulação prevê:

  1. Lista de fornecedores qualificados auditados (in loco quando possível)
  2. COA digitalizado + hash SHA-256 no ERP
  3. Validação independente (NIR + ponto de fusão + HPLC para liberação) por lote
  4. Audit log de toda decisão de aceite/rejeição

Termos relacionados