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Glossário · técnico

Biodisponibilidade

Fração da dose administrada que atinge a circulação sistêmica em forma ativa. Variável crítica em manipulação magistral.

Glossáriotécnico

Biodisponibilidade é a fração da dose administrada de um princípio ativo que atinge a circulação sistêmica em forma inalterada (ou em metabólito ativo). Expressa como porcentagem relativa a uma referência (geralmente IV = 100%).

Fórmula:

Biodisponibilidade absoluta = AUC_via_oral / AUC_intravenosa × 100%

Onde AUC = área sob curva de concentração plasmática × tempo.

Fatores que afetam:

  1. Solubilidade do IFA: BCS Class I (alta solubilidade + alta permeabilidade) > Class II/III/IV
  2. Forma farmacêutica: solução > suspensão > cápsula > comprimido (em geral)
  3. Forma química: sal > base livre em alguns casos; vice-versa em outros
  4. Veículo: lipídico aumenta absorção de lipossolúveis
  5. Estado fisiológico: jejum vs alimentado, pH gástrico, motilidade intestinal
  6. Metabolismo de primeira passagem: hepático (perde dose antes de chegar à circulação)
  7. Interações: alimentos, outros fármacos, microbiota intestinal

Estratégias para aumentar em manipulação magistral:

EstratégiaAplicação típica
Veículo lipídico (cápsula gelatinosa mole com óleo)Vit D, vit E, K, ômega 3, curcumina, CoQ10
Fitossoma (complexo lecitínico)Curcumina (~20× absorção), quercetina, silimarina
Cápsula gastro-resistenteNAC (mascara sabor + reduz desconforto)
Sublingual (mucoadesiva)DHEA, vit B12, melatonina
TransdérmicoHormônios bioidênticos, antiinflamatórios tópicos
Co-administração com biodisponibilizadoresCurcumina + piperina (BioPerine ~20×)
Microemulsão / nanoemulsãoCiclosporina, alguns hormônios

Comparativo prático — Vitamina D3:

  • Comprimido com pó padrão: ~30-40% biodisponibilidade
  • Cápsula gelatinosa mole com óleo MCT: ~60-80%
  • Solução oleosa em gota: ~70-85%
  • Calcifediol (forma já hidroxilada): ~95% sem necessidade de hepato-conversão

Em manipulação magistral, a escolha de forma + veículo é parte da decisão clínica — médico prescreve dose alvo, mas farmacêutico-RT frequentemente sugere a forma com biodisponibilidade adequada ao caso.

Importante:

  • Biodisponibilidade ≠ eficácia clínica — só faz diferença se o gargalo for a absorção
  • Mesmo IFA, diferentes fabricantes podem ter biodisponibilidades diferentes (Bioequivalência de genéricos é regulamentada justamente por isso)
  • Variabilidade interindividual existe — mesma fórmula, paciente A vs paciente B podem ter 20-30% diferença

Estudos formais:

  • Biodisponibilidade absoluta requer estudo cruzado IV vs oral em humanos
  • Bioequivalência (entre dois produtos via mesma rota) é determinação relativa simpler
  • Em manipulação magistral, raramente fazemos estudo formal — confiamos em literatura aberta
    • COA + validação interna

A Farmanipulação cataloga biodisponibilidade conhecida de cada IFA na biblioteca do portal prescritor — facilita decisão informada de prescrição (forma vs dose vs custo).

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