O veículo de uma fórmula manipulada é a substância que carrega o princípio ativo. Pode ser líquido (água, óleo, álcool), semi-sólido (creme, gel, pomada) ou matriz mais complexa (lipossoma, fitossoma).
Por que importa:
- Define a textura do produto final (creme grosso vs gel leve vs loção fluida)
- Define a absorção — pele seca pede creme; pele oleosa pede gel
- Influencia a estabilidade — alguns IFAs duram mais em base oleosa; outros precisam meio aquoso
- Influencia o sabor (em formulações orais)
- Influencia a adesão — paciente que detesta a textura abandona o tratamento
Veículos comuns em manipulação magistral:
Tópicos:
- Creme não-iônico — versátil, hidratante, boa para pele madura/seca
- Gel base aquosa — leve, sem oleosidade, boa para pele oleosa
- Loção fluida — corpo, couro cabeludo
- Pomada — calos, lesões espessas
- Espuma — couro cabeludo (Minoxidil)
Líquidos orais:
- Solução aquosa — gota oral, xarope sem álcool
- Solução oleosa — vitaminas lipossolúveis (D3, E)
- Suspensão — IFA insolúvel em água
- Óleo MCT — biodisponibilidade superior para lipossolúveis
Sólidos orais:
- Cápsula gelatinosa dura — pó, padrão econômico
- Cápsula gelatinosa mole — óleo, biodisponibilidade superior
- Cápsula gastro-resistente — proteção do estômago, sabor mascarado
- Cápsula sublingual mucoadesiva — absorção mais rápida
Especiais:
- Lipossoma — encapsulamento, liberação controlada
- Fitossoma — biodisponibilidade muito superior
- Microemulsão — sistemas lipídicos com tamanho nanométrico
Em manipulação magistral, veículo é decisão técnica conjunta — médico prescreve o IFA e intenção clínica; farmacêutico-RT sugere o veículo ideal baseado em:
- Tipo de pele (oleosa, seca, mista, sensível)
- Local de aplicação
- Adesão esperada do paciente
- Estabilidade do IFA
- Custo
- Disponibilidade da matéria-prima
A vantagem da manipulação sobre o industrializado é justamente essa flexibilidade: o mesmo IFA pode vir em 3-4 veículos diferentes, escolhidos para cada caso.