Para o paciente
A DHEA é um hormônio que o próprio corpo produz (na glândula adrenal), e que costuma diminuir com a idade — após os 50 anos, os níveis podem cair para 10-20% do que eram aos 30.
Quando há deficiência confirmada por exame de sangue (DHEA-S abaixo do normal para faixa etária e sexo), a reposição sob prescrição médica pode ter benefício em:
- Insuficiência adrenal primária ou secundária (com deficiência confirmada)
- Algumas condições associadas a DHEA-S baixa em mulheres pós-menopausa (libido, bem-estar)
- Adjuvante em lúpus eritematoso sistêmico em algumas indicações
Importante:
- Não é "anti-envelhecimento" sem indicação clínica clara. Estudos populacionais não mostram benefício em pessoas com níveis normais.
- Sempre exame de sangue antes (DHEA-S, testosterona, estradiol, IGF-1) e durante.
- Câncer hormônio-dependente (mama, próstata, endométrio) é contraindicação geralmente.
- Atletas profissionais: substância banida pela WADA — uso pode comprometer carreira.
A decisão é exclusiva do(a) seu/sua endocrinologista.
Para o prescritor
Mecanismo: pré-hormônio convertido a androgênios e estrogênios em tecidos periféricos (intracrinologia), modulação imune via DHEA-S sulfato, ligação a múltiplos receptores nucleares.
Indicações com evidência:
- Insuficiência adrenal (Addison, Sheehan, supressão pós-corticoide prolongado): reposição com objetivo de DHEA-S no terço médio-superior da faixa de referência da idade
- Mulheres pós-menopausa com queixa de libido + DHEA-S baixa: evidência moderada (Panjari, Genazzani); não é indicação universal
- Lúpus eritematoso sistêmico: aprovado FDA em 2007 (prasterona 200 mg/dia) — adjuvante em redução de corticoide; evidência clínica modesta
- Disfunção sexual feminina (vagina seca pós-menopausa): prasterona vaginal 6,5 mg/dia aprovada FDA — benefício local sem aumento sistêmico significativo
Doses magistrais usuais:
- 5-10 mg/dia — manutenção em deficiência leve
- 25 mg/dia — protocolo padrão mulheres pós-menopausa com indicação
- 50 mg/dia — homens com deficiência confirmada
- 200 mg/dia — lúpus (off-label adjuvante)
Preferencial: menor dose efetiva baseada em DHEA-S sérico (alvo: terço médio da faixa de referência etária, não acima).
Veículos:
- Cápsula gelatinosa dura com pó micronizado
- Cápsula sublingual (DHEA é muito metabolizada em primeira passagem hepática — sublingual pode aumentar biodisponibilidade)
- Não recomendar formulações tópicas para uso sistêmico (absorção variável)
Estabilidade:
- Pó estável; sensível à umidade
- Embalagem com dessecante
- Validade 90-180 dias
Considerações:
Contra-indicações absolutas:
- Câncer hormônio-dependente (mama, próstata, ovário, endométrio)
- Gestação, lactação
- Pediatria sem indicação específica
Contra-indicações relativas:
- HBP severa (DHEA pode aumentar androgênios)
- Hirsutismo, acne severa em mulheres
- Hepatopatia ativa
- Trombofilia (associação teórica)
Monitoramento laboratorial mandatório:
- DHEA-S, testosterona total e livre, estradiol, SHBG — basal e a cada 3-6 meses
- TSH, IGF-1 — se queixas associadas
- PSA em homens >50 anos — antes e a cada 6 meses
- Mama (autoexame + mamografia) em mulheres conforme protocolo
Atenção regulatória:
- Brasil: tarja vermelha simples, não controlado. Manipulação magistral sob prescrição.
- EUA: suplemento OTC (peculiaridade legal) — Brasil mantém status de medicamento
- WADA (esporte): substância banida — atleta de competição não pode usar
Controle de qualidade:
- HPLC fase reversa, 205 nm
- Identificação por ponto de fusão (149-151°C)
- Pureza ≥98% conforme USP
gatedTier: 1 — manipulação sob prescrição médica obrigatória.